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18/02/2012

TEMPO....UM PARADOXO

São quatro meses sem a sua presença física.

Desde ontem que não me sinto bem.....o que me fez compreender que, inconscientemente, algo dentro de mim estava atento à data.

Após a sua partida me encontro num turbilhão de sensações. Parece que o tempo não passa, e parece que já passou um século!

Eu ouço a sua voz. Seja reclamando, me pedindo alguma coisa, ou seja me dizendo: te amo, amor .

Eu sinto falta do seu cheiro, ao mesmo tempo em que sinto o seu perfume. Eu sinto a sua presença, muitas vezes você parece estar dentro de casa, ao mesmo tempo em que parece que um buraco se formou com a sua ausência. Eu procuro olhar a sua foto, ao mesmo tempo em que sequer consigo encará-la por segundos. Eu quero lembrar de momentos alegres, e ao mesmo tempo procuro tirar todo e qualquer pensamento que me conecte a você, porque isso me faz sentir uma dor quase física.
Eu sinto falta de tudo....sinto tanta falta, mas não posso me entregar a esse sentimento, porque nossos filhos, apesar de adultos, ainda precisam de mim. E eu preciso lutar porque não temos mais você pra nos prover, e proteger. E o mundo, Ainho, tem sido bem do jeitinho que você imaginava que era:
lento na compaixão, rápido no esquecimento, cruel com aqueles que nada têm a oferecer, e com uma memória muito fraca diante de tudo o que você fez como profissional, e como ser humano.
Se existisse a possibilidade de você ouvir esse meu relato, tenho certeza absoluta que me diria como resposta: - É a vida, amor.  Normal!!!

E tentando pensar como você, eu sigo nessa caminhada. Sempre na companhia confortadora de nossos filhos, alguns amigos que permaneceram, e principalmente, nos braços do Nosso Pai Todo Poderoso. Que me conforta, que me dá forças, que me permite chorar quando já não aguento mais, que renova as minhas esperanças, quando fraca e debilitada estou, e que me faz lembrar que se eu fiquei é porque a minha tarefa ainda não foi cumprida. Obrigada Senhor!

Que o Senhor continue me dando forças pra suportar a dor da tua ausência, capacidade pra cumprir o meu papel de mãe e provedora, e resignação pra aceitar àquilo que não posso mudar.

Agradeço a Deus por ter me dado a capacidade de sentir o amor, na verdadeira expressão da palavra. Um amor capaz de deixar partir, quando o amado assim o quis, e de perdoar e aceitar o seu retorno. E é esse amor que vou levar comigo até o momento de reencontrá-lo, se for essa a vontade do Senhor.

Te amo, Ainho.



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